Um relatório da MCKinsey, de dezembro de 2017, analisa os impactos da automação e robotização no mercado de trabalho, considerando os empregos que podem ser tomados pela tecnologia, aqueles que serão gerados por ela, e projeta possíveis cenários para a força de trabalho em 2030.

As novas tecnologias, como inteligência artificial e robótica, criarão benefícios para os usuários e negócios, gerando aumento da produtividade e crescimento da economia em geral. Porém, vagas de trabalho serão perdidas, já que 60% das ocupações existentes tem pelo menos 30% de atividades que poderiam ser automatizadas. De acordo com o relatório, entre 400 a 800 milhões pessoas perderão o emprego por conta das novas tecnologias até 2030. Ao mesmo tempo, vagas e profissões que não existem serão criadas.

Ainda que exista alto potencial para automação nas empresas, ela só se tornará realidade dependendo de fatores econômicos, sociais e até mesmo técnicos, variando conforme cada país. Países altamente desenvolvidos, como Estados Unidos e Japão, tendem a ser mais afetados por automação do que aqueles em desenvolvimento, inclusive porque o custo de mão de obra deles é maior, o que justifica o investimento em automação.

Pode não parecer, mas a longo prazo, o efeito da automação será positivo. Não é a primeira vez que o mundo passa por uma onda de disrupção que afeta o mercado de trabalho. Em 1850, 60% da força de trabalho dos Estados Unidos estava na agricultura e em 1970 passou para menos de 5%.  Já o setor industrial empregava 26% da força de trabalho americana em 1960 e hoje emprega menos de 10%.

A automação gera aumento da produtividade, que leva ao aumento nos salários e, consequentemente, do consumo. A indústria do entretenimento tende a crescer com o aumento da renda, e demanda por serviços de saúde também deve crescer por conta das populações que envelhecem. A previsão do estudo é que o crescimento de vagas de trabalho na área de saúde seja entre 80 a 130 milhões de vagas até 2030.

A verdade é que a maioria dos empregos gerados pela tecnologia não estão dentro dos setores produtores de tecnologias, mas são produto do processo de geração de renda pela tecnologia. Nos Estados Unidos, após a popularização do computador pessoal em 1980, estima-se que foram criados 15,8 milhões de novas vagas de empregos em diversas áreas: call centers, analistas financeiros e gerentes. Entretanto, a estimativa é que sejam criadas de 20 a 50 milhões de vagas relativas a tecnologia globalmente, incluindo cientistas da computação, engenheiros e especialistas em tecnologia da informação.

Mesmo que haja disponibilidade de emprego para todos em 2030, muitos trabalhadores mudarão de categoria de trabalho e precisarão ter alta capacidade de adaptação. Entre 75 a 375 milhões de trabalhadores passarão por essa mudança de carreira até 2030. Serão exigidos maiores níveis de educação, habilidades emocionais, capacidades cognitivas de alto nível e criatividade, especialmente porque essas atividades não são facilmente automatizadas. A automação terá efeitos menores em atividades envolvendo interações sociais, gerenciamento de pessoas e aplicação de expertise. Ainda assim, todas essas mudanças desafiam os modelos educacionais e de treinamento disponíveis atualmente.

Como você e sua empresa estão se preparando para os próximos dez anos?

Fonte: JOBS LOST, JOBS GAINED: WORKFORCE TRANSITIONS IN A TIME OF AUTOMATION, December 2017, MCKYNSEY GLOBAL INSTITUTE.

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