A ausência da comunicação eficiente no ambiente de trabalho, tem se tornado cada vez mais frequente e deixado marcas do seu impacto nas pessoas. Essa prática tem fomentado ainda mais intolerância e violência, pela falta da nossa habilidade e capacidade de continuarmos sendo seres humanos mesmo em condições desfavoráveis.

Esse texto é o resultado de intensa pesquisa sobre o trabalho na gestão de pessoas em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) na periferia da Zona Norte do Município de São Paulo desde o início de 2021 com uma equipe de enfermeiras, que nos fez ver na prática a postura inadequada do exercício da liderança, e da falta da comunicação violenta com a grande maioria dos colaboradores dentro da UBS.

Trabalhar com gestão de pessoas exige da liderança conhecimentos em comunicação, perfil comportamental e empatia, para alcançar a abordagem apropriada e não violenta aos subordinados. Já é sabido que uma comunicação violenta e despreparada entre gestores e geridos, reflete diretamente no mau atendimento ao público, o que causa insatisfação pessoal e gera sentimentos de abandono, rejeição e humilhação.
Caminhar para uma solução dentro desse cenário não é complexo mas exige disponibilidade, vontade de mudar a situação atual e muita disciplina.

Desafios para atuar na área da saúde são vários e são conhecidos: falta de suprimentos essenciais, falta de leitos, falta de equipamentos e agora diante deste cenário de intolerância e falta de conhecimento específico, estão faltando pessoas dispostas a estarem no front de atendimento ao público, pois o ambiente organizacional é caótico.

Pensando em criar soluções práticas para iniciar uma transformação neste cenário, o estudo e aplicação da CNV (comunicação não violenta) parte do princípio que todo o ser humano possui necessidades básicas e que elas geram sentimentos e que são expressos através da comunicação. Se esses sentimentos não são trabalhados corretamente, o processo das atividades inerentes ao cargo ocupado na organização será afetado, influenciando diretamente o clima organizacional.
É vital a importância do trabalho em equipe para que juntos, os colaboradores trilhem os passos que os autores da pesquisa sobre CNV trazem, evidenciando a importância da comunicação efetiva e a utilização de técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais. A Comunicação Não Violenta se baseia em habilidades de linguagem e comunicação que fortalecem a capacidade de continuarmos humanos, mesmo em situações adversas.

De acordo com MARSHAL, existem 4 componentes essenciais para praticarmos CNV:

Observação: é importante observar o que de fato está ocorrendo em uma determinada situação, sem fazer julgamento. Apenas compreender o que nos agrada ou não naquilo que o outro está fazendo;
Sentimento: identificar o sentimento que foi despertado durante a observação daquela ação, se foi mágoa, alegria, divertimento, susto, irritação entre outros;
Necessidades: reconhecer quais necessidades que estão conectadas aos sentimentos dentro daquele cenário. A CNV desperta nesses três componentes para expressar clara e honestamente como estamos.
Pedido: através de uma solicitação específica, é possível deixar claro o que se quer da outra pessoa.

Já é tempo de entendermos e abraçar a comunicação não violenta como um ponto importante de discussão acerca da importância do acolhimento, organização do processo de trabalho, da presença e participação do interlocutor em trazer todos os seus sentimentos e mostrar também como as ações são baseadas em necessidades humanas.
Com a importância de expressar e saber ouvir o outro e com o plus de ter o conhecimento do método, os líderes vão se tornar comunicadores e assim conseguem identificar os comportamentos e as condições que estão afetando os colaboradores sem fazer juízo de valor. A CNV promove respeito, atenção e empatia e organiza o clima organizacional.

Nessa perspectiva, identifica-se a importância da aplicação da Comunicação Não Violenta e de suas ferramentas para uma liderança saudável e para a criação de uma estratégia de gestão de pessoas que envolva a cultura organizacional da empresa.
Como resultado desse conhecimento pode-se concluir que um ambiente de trabalho com comunicação distorcida, pode gerar um ambiente de trabalho insalubre, causar doenças mentais, e fomentar a insatisfação geral do cliente – paciente, que será atendido por um colaborador que não tem um lugar de trabalho acolhedor e cooperativo.

Por Lúcia Helena

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